Estava comentando sobre a dificuldade que se tem de organizar um encontro, e a Tita disse que os adultos são complicados mesmo.
Fiquei pensando que quando tinhamos algo entre 15 e 18 anos, esperávamos até o sábado para ver se alguém nos apresentava alguma festa. Se isto não acontecia até lá pelas cinco da tarde, como num passe de mágica a gente arranjava a casa de alguém, podia ser na garagem mesmo, alguém se encarregava de ir instalando o som, outros iam convidando e quando se via a festa tava pronta e maravilha.
O mais interessante é que não existia e-mail ta,pouco celular e nenhum de nós tinha carteira de motorista. E as casas poderiam ser no Bom Fim, ou no Menino Deus, ou em Petrópolis ou no Partenon. Normalmente não se tinha grana pro taxi. Chegamos em uma época pedir dinheiro na rua, à tarde, para ter grana na noite. Claro, tinha que sobrar um troco para comer cachorro-quente no Shafram na volta.
Outra alternativa era colocar 4 num taxi. Um, necessariamente tiha que ir rezando na capelinha, ou seja, sentado no chão do fuca diante do taximetro que era da marca Capelinha. Invenções do Ique e do Jaime. Mas chegar de ônibus, jamais. Podiamos até pegar um Ônibus ou um bonde até perto do local, mas se chegava de taxi.
Na verdade tudo era difícil, mas tudo era fácil. Tinha uma coisa essencial: Vontade.
E agente sobia e descia escadas carregando caixas de som. Desmontávamos eletrolas para instalar um mini k-7 Phillips cujo pause era feito com um palitinho de fósforos segurando direto na fita e mais…. as lâmpadas coloridas eram conseguidas das mais variadas maneiras, normalmente envolvendo um pézinho, um paninho (normalmente as lâmpadas estavam quentes) e, invariavelmente, uma corrida.
Mas tudo era feito com prazer, com alegria e com um forte senso de equipe, cujo objetivo era dançar Je t’aime moi non plus mesmo sabendo das consequências. O Bola que o diga.
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